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Blog do ABC
 


Indiana Jones a a linha de produção

Indiana Jones, vestido com túnicas egípcias, desce por uma corda dentro do templo perdido no deserto do Saara, em busca de pistas da localização da Arca da Aliança. Lá dentro ele fixa ao chão o cajado construído para suportar o artefato histórico que, na verdade, é uma espécie de lente de projeção, servindo para desviar um raio de sol que aponta em uma maquete, no chão do templo, o local onde está enterrada a Arca perdida.

 

 

Na semana passada (meados de Julho de 2011), tivemos uma reunião de negócios em São Paulo, com a diretoria de um importante cliente que é dirigido pelo engenheiro André Salgado por quem tenho grande estima. Dentre vários assuntos discutimos as competências da nossa estrutura de serviços e alguns aspectos técnicos e comerciais do relacionamento entre nossas empresas.

 

Bom, você deve estar pensando: e daí? Que é que a ver o primeiro parágrafo com o segundo? Pois bem. Em um momento de descontração, Paulo Faccin, nosso gerente da área de serviços, contou o caso da linha de automação Indiana Jones e arrancou boas gargalhadas de todos.

 

A história era mais ou menos assim: uma determinada empresa instalou uma nova linha de produção automatizada com nossos produtos porém apareceu um problema misterioso. Por volta de um determinado horário da manhã a linha entrava em falha e parava por alguns minutos. A equipe de manutenção era chamada mas não conseguia encontrar a razão do problema. O sistema não aceitava RESET por alguns minutos e depois, misteriosamente, aceitáva-o voltando a funcionar sem problemas. O caso virou uma piada dentro desta empresa. O pessoal da produção já contava com a “paradinha misteriosa” para tomar uma café no meio do turno da manhã.

 

Depois de alguns dias a empresa contratou o time do Paulo para identificar e resolver o problema. Foi enviado um engenheiro de automação experiente que fez várias análises, dentre elas a verificação dos programas dos controladores, nas intalações elétricas, dos aterramentos e, até, uma possível ação indevida de um operador mas nada de errado foi encontrado.

 

Ainda sem encontrar a razão do problema, após umas 2 semanas de paradas misteriosas, a linha seguiu produzindo sem parar. Todos ficaram se perguntando porque a linha não havia parado naquele dia. Ninguém tinha a resposta.

 

Depois de muito questionamento interno um operador notou que, naquele dia, o tempo estava feio e nublado fora da fábrica. Esta era a única condição que havia variado. Mas em que o tempo exterior poderia estar relacionado com o defeito na linha? Com um pouco de sorte e muita observação verificou-se que o problema era um pequeno furo no telhado que permitia a passagem de um feixe de luz do sol que, em determinada hora da manhã, alinhava-se com uma fotocélula de um equipamento causando um falso sinal que desarmava o motor elétrico de um trecho da linha e, em efeito cascata, parava toda a fábrica. Enquanto o raio de sol atingia a fotocélula o motor permanecia parado, independentemente de tentativas de RESET do sistema. A cena não tinha o efeito cinematográfico do filme de Spielberg mas era o mesmo princípio. Feixe de luz em determinada hora e lugar atingiam o local certo ( ou no caso o errado).

 

Causa encontrada decidiu-se resolver o problema tapando o furo mas o telhado era alto, o furo pequeno e ficou mais facil trocar a fotocélula de lugar. Pronto. Problema resolvido! Pelo menos até a data em que haja um novo alinhamento do sol com o mesmo furo e a fotocélula.

 

Os técnicos envolvidos informaram que, após diversas consultas ao calendário Maia, o conhecimento autal não permitiu prever a data da próxima parada.

 

 



Escrito por Artelano de Barros Cavalcanti às 16h53
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Eu e Giulietta

Quando fomos à Europa, Ritinha e Eu, começamos por Roma que é linda e cheia de coisas para ver, fazer e comer. Foi lá que o destino me apresentou Giulietta. Achei interessante a ironia de conhecer uma Giulietta em Roma e não em Verona que é a cidade natal dos famosos personagens de Shakespeare – Romeo e Giulietta (em italiano). Soube, mais tarde, que o nome da Giulietta era uma óbvia homenagem à linda, apaixonada e apressada capuleto.

 

            Pois bem, a primeira vez que vi Giulietta foi depois de dobrar uma esquina, no calçadão lateral da estação Termini. Eu, com a minha costumeira ansiedade, vinha puxando Ritinha pela mão para chegarmos logo ao ponto de ônibus da OPENTUR, que é uma das operadoras de ônibus turísticos que fazem citytours por lá. Logo depois de virar a tal esquina Ritinha me deu um leve tranco na mão pois parou para olhar umas lembrancinhas em uma vitrine. Era a enésima parada. Para aliviar a frustração disfarçadamente iniciei um giro 360 graus para reconhecer o terreno e, no meio deste giro, eis que avistei a Giulietta. Ela estava virada para o outro lado a apenas alguns metros de mim. Foi paixão à primeira vista. Não me controlei e comecei a analisar, com meu olhar masculino, todas as curvas dela, isto é, as curvas que eu conseguia enxergar daquela posição.

 

            Ritinha percebeu, mesmo sem olhar para trás, que algo havia acontecido pois estávamos de mãos dadas e eu a havia soltado. Ainda sem se virar ela me chamou a atenção para a vitrine e perguntou - Você gostou destas camisas ? Eu respondí no automático. Tá ótimo! Pois não conseguia tirar os olhos da Giulietta. Aí ela perguntou - Você tá prestando atenção no que eu estou falando? Um " claro" saiu da minha boca sem nenhuma convicção. Pronto. Ritinha percebeu que eu estava naquela conversa apenas verbalmente e virando-se me pegou no flagra, vidrado na traseira da Giulietta. Então ela disse - Que é que você tá olhando ai ? Parece bôbo!

 

            Não titubiei. Enchi-me de coragem e num arroubo de "seja o que Deus quiser" disse: tô apaixonado! E apontei na direção da Giulietta que permanecia quietinha, de costas, no mesmo lugar. Ritinha não emitiu um som sequer, olhou na direção da Giulietta, pegou-me pela mão, deu alguns passos em sua direção. Giulietta permaneceu alí, impávida, enquanto era estudada por inteira. Ritinha terminou o scan dela, olhou em minha direção, abriu um sorriso maroto e exclamou. É.. Ela é lindinha. Quem sabe você não “arruma” ela pra gente depois? Agora vamos embora que estamos atrasados para o citytour.

 

             Meu coração se encheu de excitação, esperança e alegria. Fomos embora e tivemos um dia maravilhoso. Depois não ví mais a Giulietta mas ainda tenho muita esperança de consegui-la para mim e para Ritinha.

 

 

           

             Encontrei uma foto dela na internet, usando a mesma cor do dia em que a conheci.

 

 

 

 



Escrito por Artelano de Barros Cavalcanti às 13h23
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O ritual da carimbada

Um dia desses, no final de 2010, tava eu dirigindo pelas estradas do nordeste, mais precisamente na altura de Caaporã, divisa de Pernambuco com a Paraíba, e ví a repetida cena de dezenas de caminhões se contorcendo para estacionar, onde fosse possível, junto ao posto da secretaria da receita estadual, para o ritual de “carimbagem das notas fiscais”.

 

Neste dia o tumulto estava maior que o costumeiro pois uma carreta havia tombado no acostamento. Como não estava atrasado (coisa relativamente rara) decidí parar para entender melhor a situação e, se necessário, fazer uma desvio na volta.

 

Descobri o seguinte: Havia uma escavação em relação ao nível da pista, criando um pequeno barranco que cedeu quando a carreta estacionou no acostamento, fazendo-a tombar. Enfim, resultado de obras em andamento sem o cuidado merecido de planejamento e sinalização (coisa muito comum nas estradas no nordeste do Brasil).

 

 

 

 

Pois bem, minha conclusão imediata: O motorista e o dono do caminhão (transportadora) levaram a pior. Eles que ficaram com o prejuizo! Coitados do motorista e do dono da transportadora!

 

Segui viagem pensando no absurdo deste procedimento de parada e carimbagem de notas em postos fiscais.

 

Quis entender um pouco mais deste procedimento e alguns dias depois conversei com Eduardo, amigo meu que trabalha num destes postos no Estado de Alagoas. Ele me falou da obrigatoriedade de parada na entrada e saída de qualquer Estado brasileiro para que haja a alimentação, no sistema fazendário estadual, dos impostos devidos para o Estado de destino da mercadoria além de possíveis emissões de boletos para pagamento das diferenças antecipadas de ICMS.

 

Se você não entedeu nada do que escreví no parágrafo anterior sugiro fazer uma pesquisa para, pelo menos, ter uma breve noção do imposto sobre circulação de mercadorias e servicos (ICMS) pois ele faz parte de um dos estupros seriados que sofremos no que tange a impostos pagos por nós, consumidores.

 

Mas minha cabeça de engenheiro não quis se ater à dança dos impostos mas sim ao caminhão, ao tempo perdido, ao custo daquela cena e aos coitados que ficaram no prejuízo. Coitados do motorista e do dono da transportadora!

 

Analisei a seguinte situação hipotética porém (possivelmente) muito real: Uma transportadora compra um caminhão novo e o usa por 10 anos quase que diariamente por 8 horas (para somente nas revisões e manutenção). O trabalho deste caminhão é fazer regularmente o trecho São Paulo / Recife / São Paulo toda semana em viagens que levam em média 6 dias (ida e volta), sendo necessárias 12 paradas para carimbar a nota fiscal em cada viagem

 

Fiz uma pequena investigação e alguns cálculos de “padaria” que é como costumo chamar cálculos simples, (por favor sem qualquer demérito aos empresários / trabalhadores do ramo da panificação). Nestes cálculos não considero os juros, financiamentos e o tempo.

 

 - Custo de um caminhão novo: R$ 350.000,00

- Valor de venda com 10 anos de uso: R$ 120.000,00

- Quantidade de dias usados por ano: 347 (95% de disponibilidade)

- Quantidade de horas rodando por dia: 8 horas

- Tempo médio da 1 parada para carimbar nota fiscal em posto: 15 minutos (0,25 hora)

- Quantidade de paradas em viagem de caminhão de São Paulo / Recife / São Paulo: 12

- Tempo da viagem: 6 dias (ida e volta)

  

 

 

A conclusão é de que, ao final de 10 anos, este caminhão terá parado por 1.735 horas esperando a carimbada da nota, significando R$ 14.375,00 pagos pelo dono da máquina para que esta simplesmente fique parada ao invés de estar produzindo. Coitados do motorista e do dono da transportadora!

 

Qual a solução? Simples! Basta aplicar sensores eletrônicos nos caminhões que serão “carregados” com os dados das notas fiscais / cargas que estão transportando. Nas divisas estaduais existiriam pórticos de leitura. Desta forma o caminhão teria os seus dados lidos em movimento, de forma análoga aos sistemas de pedágio com tags automáticos. O fiscal cuidaria apenas dos problemas.

 

Se considerarmos um frota nacional de aproximadamente 800 mil caminhões nas estradas (fonte: associação nacional de transportes de cargas – NTC) teremos em 10 anos um valor próximo de R$ 11,5 bilhões. Isto mesmo! Onze e meio bilhões de reais pagos por equipamentos que ficam parados esperando um procedimento braçal de fiscalização e controle. Isto sem falar nos custos associados (e talvez bem maiores) do salário dos motoristas, salários dos fiscais, furtos / roubos durante as paradas, etc...

 

Depois do resultado acima refiz os cálculos algumas vezes para verificar possíveis erros, mas tá tudo certo. Fiquei abismado com os valores e o impacto desta conta e concluí que realmente o motorista e o dono da transportadora não podem pagar por estes custos. Isto seria desonesto. Eles não tem culpa... Aí caiu a ficha e percebí que realmente eles não pagam a conta. Quem paga somos eu e você! Coitados de nós!



Escrito por Artelano de Barros Cavalcanti às 21h00
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A fábula dos porcos assados.

Adoro esta fábula. Já usei várias vezes em situações diferentes. Encontrei na internet ha algum tempo atrás e apresento aqui uma das suas variações. Para mim ilustra maravilhosamente o contra-senso da vida moderna, quando, em nome de ir para frente, vamos para trás.

Até onde sei “A Fábula dos porcos assados” foi originalmente publicada em “Juicio a La Escuela Círigliano, Forcade Tilich Editorial Humanitas – Buenos Aires, 1976″.

Este trabalho, em seu texto original, em espanhol, circulou entre os alunos do Programa do Pós-graduação da Universidade Metodista de Piracicaba, em 1981.

Vamos lá então:

CERTA VEZ, ocorreu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os homens, que até então os comiam crus, experimentaram a carne assada e acharam-na deliciosa. A partir daí, toda vez que queriam comer porco assado, incendiavam um bosque. O tempo passou, e o sistema de assar porcos continuou basicamente o mesmo.

Mas as coisas nem sempre funcionavam bem: às vezes os animais ficavam queimados demais ou parcialmente crus. As causas do fracasso do sistema, segundo os especialistas, eram atribuídas à indisciplina dos porcos, que não permaneciam onde deveriam, ou à inconstante natureza do fogo, tão difícil de controlar, ou, ainda, às árvores, excessivamente verdes, ou à umidade da terra ou ao serviço de informações meteorológicas, que não acertava o lugar, o momento e a quantidade das chuvas.

As causas eram, como se vê, difíceis de determinar – na verdade, o sistema para assar porcos era muito complexo. Fora montada uma grande estrutura: havia maquinário diversificado, indivíduos dedicados a acender o fogo e especialistas em ventos – os anemotécnicos. Havia um diretor-geral de Assamento e Alimentação Assada, um diretor de Técnicas Ígneas, um administrador-geral de Reflorestamento, uma Comissão de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas Alimentícias e o Bureau Orientador de Reforma Igneooperativas.

Eram milhares de pessoas trabalhando na preparação dos bosques, que logo seriam incendiados. Havia especialistas estrangeiros estudando a importação das melhores árvores e sementes, fogo mais potente etc. Havia grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, além de mecanismos para deixá-los sair apenas no momento oportuno.

Um dia, um incendiador chamado João Bom-Senso resolveu dizer que o problema era fácil de ser resolvido – bastava, primeiramente, matar o porco escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal, colocando-o então sobre uma armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor – e não as chamas – assasse a carne.

Tendo sido informado sobre as idéias do funcionário, o diretor-geral de Assamento mandou chamá-lo ao seu gabinete e disse-lhe: “Tudo o que o senhor propõe está correto, mas não funciona na prática. O que o senhor faria, por exemplo, com os anemotécnicos, caso viéssemos a aplicar a sua teoria? E com os acendedores de diversas especialidades? E os especialistas em sementes? Em árvores importadas? E os desenhistas de instalações para porcos, com suas máquinas purificadoras de ar?

E os conferencistas e estudiosos, que ano após ano têm trabalhado no Programa de Reforma e Melhoramentos? Que faço com eles, se a sua solução resolver tudo? Hein?.”

“Não sei”, disse João, encabulado.

“O senhor percebe agora que a sua idéia não vem ao encontro daquilo de que necessitamos? O senhor não vê que, se tudo fosse tão simples, nossos especialistas já teriam encontrado a solução há muito tempo?.”

“O senhor, com certeza, compreende que eu não posso simplesmente convocar os anemotécnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas, sem chamas? O que o senhor espera que eu faça com os quilômetros de bosques já preparados, cujas árvores não dão frutos e nem têm folhas para dar sombra? E o que fazer com nossos engenheiros em porcopirotecnia? Vamos, diga-me!”.

“Não sei, senhor.”

“Bem, agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia dizendo por aí que pode resolver tudo. O problema é bem mais sério do que o senhor imagina. Agora, entre nós, devo recomendar-lhe que não insista nessa sua idéia – isso poderia trazer problemas para o senhor no seu cargo.”

João Bom-Senso, coitado, não falou mais um “a”. Sem despedir-se, meio atordoado, meio assustado com a sua sensação de estar caminhando de cabeça para baixo, saiu de fininho e ninguém nunca mais o viu.



Escrito por Artelano de Barros Cavalcanti às 13h24
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Até onde sei sobre tia Coeli

Regina Coeli Guedes Alcoforado, minha tia, faleceu na última quinta-feira, dia 22 de Julho de 2010, de complicações decorrentes de um câncer do tipo Melanoma. Tia Coeli (como era chamada em família) era a caçula de 7 irmãs e 1 irmão, frutos do casamento de meu avô com Aida (minha avó), tendo mais jovem que ela, apenas 1 irmão do segundo casamento de Vovô Osmar. 

Até onde sei da história dela, tia Coeli ficou orfã de mãe por volta dos 12 anos e foi o xodó e até o brinquedo, às vezes, das irmãs mais velhas que, dento do possível, ajudaram a criá-la sob os cuidados também da madrasta. Este cenário, por si só, já era um prato feito para que ela se tornasse frágil, dependente e talvez até mimada, mas com ela não foi assim.

Até onde sei, muito cedo, veio para ela um grande relacionamento amoroso que deveria fazê-la seguir os passos das outras irmãs e virar logo casamento, filhos, etc, mas com ela não foi assim.

Até onde sei ela formou-se em engenharia e deveira ter seguido numa longa carreira de sucessos como a brilhante aluna que era mas, depois de algum tempo, mudou de área. Foi trabalhar para o governo, fez psicologia, fez pós-graduação, trabalhou com projetos de desenvolvimento da qualidade e capacitação em inúmeros orgãos e programas governamentais que levaram melhor atendimento a incontáveis usuários dos serviços públicos do Estado de Pernambuco como, por exemplo, o projeto Mãe Coruja do Hospital IMIP. Com o passar do tempo, e a cama feita, muitos teriam entrado para o caricato grupo dos trabalhadores públicos marcha lenta, mas com ela não foi assim.

Até onde sei buscou respostas mais profundas para tudo na vida, escreveu contos premiados, poemas, iniciou-se na mística Ordem Rosa Cruz e estudou numerologia dentre outras tantas ciências que, para mim, buscam apenas uma ordem no acaso. Encontrou, mais tarde, seu verdadeiro companheiro de vida, constituiu um lar e depois uma família com a chegada da filha em um momento em que muitos não o fariam mais, mas com ela não foi assim.

Até onde sei tia Coeli tinha sempre uma palavrinha para dar para quem quisesse sua opinião. Dentre várias conversas que tive com ela, neste momento, lembro bem de uma, a uns bons anos atrás, quando eu estava bem angustiado com o trabalho, com a instabilidade de funcionário do setor privado, o salário e a dificuldade de juntar dinheiro. Tudo isso versus meus planos de enriquecimento. Ela me ouviu e disse "Teco, sua data de nascimento é 4. Na numerologia 4 é trabalho. Isto significa que o trabalho sempre vai permear a sua vida. Vc sempre vai ter muito trabalho mas não vai ficar rico". Durante muito tempo essa frase me pareceu uma sentença ou uma maldição. Só agora, depois de sua morte, revisei a situação e vi que realmente não vou ficar rico e também não tenho mais este objetivo. Por sua vez a sentença dela me dá um tremendo conforto. Me sinto sempre empregável e com várias portas abertas, ou seja, uma grande benção. Não sei até onde ela planejou o efeito da sua sentença, porém muitos teriam tentado me tranquilizar de imediato, o que não teria surtido efeito, mas com ela não foi assim.

Até onde sei tia Coeli deixou, de alguma forma, orfãos: o marido, 1 filha de 10 anos, 7 irmãs, 7 cunhados, 2 irmãos, 3 cunhadas, 23 sobrinhos, 17 sobrinhos-netos, primas, primos e uma enorme quantidade de amigos e colegas. Todos também, de certa forma, encaminhados ou melhorados por uma simples palavrinha com ela, regada ou não a cuba-libre. Para muitos, 57 anos de vida seriam muito pouco para produzir tanto, mudar tantos e deixar tanta coisa, mas com ela não foi assim.

Até onde sei, e sei bem disso, eu tenho muitas saudades.

 



Escrito por Artelano de Barros Cavalcanti às 00h57
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Um dia na praia.

Depois que comecei o blog percebí como é difícil organizar as idéias para colocá-las no papel (as idéias propriamente ditas não são problema mas sim transformar isso em algo que seja inteligível). Bem, na verdade mesmo, nunca gostei de escrever porque minha escrita (ou digitação no caso) não companha a velocidade dos pensamentos e aí perco o fio da meada.

 

Meu desconforto com a escrita vem desde a minha quarta série primária na extinta Escola Pica Pau, em Recife, quando me ordenaram que fizesse uma redação em um maldito livrinho chamado “Para Gostar de Escrever” que existe até hoje ao valor de R$ 29,50 no submarino.com. Cada página do tal livrinho continha uma gravura na parte superior e várias linhas, aflitamente em branco, para que fosse produzido, ou até “extraído a fórceps” se necessário, um texto da criança.

 

Para Gostar de Escrever 

 

Minha primeira gravura, que ainda lembro com perfeição, era de 2 crianças brincado na aréia da praia com o sol brilhando.  Junto delas havia uma bola, pá e baldinho com um pequeno castelo de areia. Tudo lindo e infantil. Uma cena comum para um morador de cidade litorânea do nordeste. A instrução era óbvia. Dar um título e desenvolver um texto sobre o desenho.

 

Pronto,  meu calvário havia começado. Eu tentei de todo jeito mas não conseguia escrever uma única linha. Aquela tarefa me pegou de surpresa e por alguma razão tive um bloqueio total. A professora, tal qual um carcará peneirando (vai aí uma expressão legal para quem não é nordestino), passava a cada 10 segundos pelas bancas para verificar o progresso. Na sala em silência eu só houvia: “Vamos lá Artelano. Todo mundo está fazendo o texto e só você que ainda não fez nada”.

 

Não lembro os detalhes dos momentos de martírio a seguir mas lembro que, depois de mais alguma tortura, troquei o sentimento de desepero por raiva. Muita raiva mesmo por ter que fazer algo que simplesmente, naquele momento, eu não estava conseguindo além de estar sendo vergonhosamente humilhado na frente de meus colegas por uma professora opressora.

 

Tem um ditato, que eu adoro, que diz que “a necessidade é a mãe da invenção” e como a necessidade era muito grande o texto foi inventado mais ou menos assim:

 

Um dia na praia

Um dia na praia Joãozinho brincava com a bola que caiu no mar. Ele foi pegar e morreu afogado. Mariazinha foi ajudar o irmão e também morreu afogada. Fim.

 

Coitada da minha mãe que foi chamada pela escola para que entendessem qual o problema comigo e até que tipo de pressão ou constrangimento eu sofria em casa.

 

Depois disso nunca mais matei ninguém.

E você, já matou alguém ?



Escrito por Artelano de Barros Cavalcanti às 10h34
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Voçê conhece Gustavo Ioschpe ?

Bem...Eu tenho relativamente pouca cultura. Sempre lí pouco, ao contrário de meu Irmão Alexandre e até dos meus filhos que ainda são crianças. Sempre achei chato e cansativo e somente a pouco tempo atrás entendí a razão. Meu oftalmologista, Dr. Ítalo, descobriu que eu tenho um forte estrabismo somente para ler. Comecei a fazer exercícios que me ajudaram bastante e resolví me forçar a ler...Tem dado algum resultado mas sei que perdí muito tempo.

[gustavo_ioschpe.jpg]

Numa destas leituras forçadas tropecei em artigos do Gustavo Ioschpe. Para quem não conhece ele é gaucho, tem 33 anos, escreve hoje para o Jornal Zero Hora, revista Veja e já ganhou o prêmio Jabuti de literatura. Ele é economista e tem mestrado em economia internacional e desenvolvimento econômico em Yale - USA, ou seja, um currículum bastante substancial.

Para mim o mais interessante é a forma como Gustavo Ioschpe escreve sobre educação, abordando o assunto através de uma ótica muito mais de desenvolvimento econômico que baseada nas terorias e correntes educacionais. Comecei a gostar de quase todos os artigos que lia dele, dos dados apresentados e das conclusões embasadas, simples e objetivas. Pensei até que ele era engenheiro antes de descobrir sua formação em economia. Um dos artigos que mais gosto chama-se "Brasil: a primeira potência de semiletrados ?" que foi publicado na revista Veja de 14 de Abril de 2010 (pags 118 e 119). Neste artigo ele faz um resumo de um estudo de 3 economistas que analisaram 76 países por 32 anos e chegaram a conclusão de que os poucos países que conseguiram sair do subdesenvolvimento e alcançaram o patamar do "primeiro mundo" no passado recente (segunda metade do século 20) focaram o crescimento humano como estratégia de desenvolvimento ao invés do foco no crescimento econômico como fim.

Disto isto, ou melhor, escrito isto, testemunho com uma frequência quase mensal a necessidade de clientes meus em melhorar o conhecimento / treinamento de seus técnicos de automação para atuarem nas suas necessidades industriais. Algumas vezes tratamos o problema com propostas de treinamentos massificados e outras vezes com estratégias criativas de combinar serviços temporários de terceiros e menor investimento em treinamento para seus próprios técnicos porém, com uma enorme frequência, (na verdade eu ia usar a palavra inexoravelmente, mas quero deixar uma saída honrosa caso alguém se sinta ofendido com a colocação) as conclusões são de que os treinamentos são muito caros e que não dispõem dos recursos necessários para fazer o que precisam. Após este momento, também com muita frequência, ouço a pergunta...Vc conhece algum técnico bem preparado que possa nos indicar para contratação imediata ? 

Costumo responder a pergunta com outra pergunta...Vc já calculou o custo das perdas decorrentes da falta de capacitação adequada de seus técnicos para confrontarmos com o valor do investimento em treinamento ? Até hoje sempre obtive não como resposta.

Não posso deixar de ver grandes indícios de verdade no artigo do Gustavo Ioschpe quando olho o pequeno universo no qual trabalho, que é a automação industrial, e as consequências da falta do adequado desenvolvimento humano.

Para finalizar este posting, esbarrei no artigo da Ana Maria Montardo, que não tem o curriculo do Gustavo mas tem um excelente gosto musical, cujo título é "As falácias de Gustavo Ioschpe" http://anamariamontardo.wordpress.com/2010/02/06/as-falacias-de-gustavo-ioschpe/ . Neste artigo ela questiona de uma forma muito interessante a afirmação do Gustavo Ioschpe de que "dinheiro não compra qualidade" em um artigo para a revista Veja em 2008 onde ele questiona a tese de professores de que para melhorar a educação no Brasil é necessário melhorar os salários.  Depois que pensei um pouco  sobre o que ela escreveu e na forma como fundamentou o artigo, cheguei a conclusão de que:

Bem...Eu tenho relativamente pouca cultura. Sempre lí pouco.

E Voçê ?

 



Escrito por Artelano de Barros Cavalcanti às 22h38
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O Bom, O Mau e O Feio

Sugiro que Vc comece a ler este posting acionando o vídeo abaixo para ouvir a trilha sonora (ajuste o som em um volume agradável). Siga em frente e boa leitura.

Na virada dos anos 60/70 foi lançado na Itália o filme “Il Buono, Il Brutto, Il Cativo”, estrelado por Clint Eastwood, Lee Van Clif, Eli Wallach e dirigido pelo cineasta italiano Sergio Leone. O fime foi traduzido no Brasil para Três Homens em Conflito mas ficou conhecido mesmo como “O Bom, O Mau e O Feio”, tornando-se o maior sucesso mundial do gênero Wester (ou bangue-bangue) à italiana.

 

 

No início a aventura do cinema italiano em imitar Hollywood nos bangue-bangues parecia algo descabido mas a competência do cineasta Sergio Leone convenceu investidores e atores levando-os a aderir à empreitada. Depois de alguns relativos sucessos ficou mais fácil produzir o filme O bom, O mau e O Feio que contou com uma boa dose de recursos. Tinha tudo que os melhores filmes de Hollywood usavam: o deserto, o confronto de pistolas, os bandidos sujos e barbados, cavalos, saloons, prostitutas...Só faltou o John Wayne (mas tinha Clint Eastwood).

 

Eu assistí este filme no começo dos anos 80 na TV Bandeirantes em Recife. Não gostei muito pois a trama era pesada e só comecei a entender o enredo lá pelas tantas. Em linhas gerais, no filme, ninguem sabe quem é o bom, o mau ou o feio, afinal esses não eram os seus nomes. Além disso suas atitudes eram muito semelhantes, todos eram brutalmente malvados, agressivos e tinha um único objetivo...achar um tesouro enterrado. Para tanto se valiam de todos os meios disponíveis, incluindo participar de exércitos na guerra civil americana, sem nenhuma ideologia, apenas usando-os para se aproximarem do tesouro, isso sem falar das associações esdrúxulas com certezas de traições a curto prazo.

 

Até agora tudo bem... Mas vc já deve estar se perguntando e dai Artelano ?

 

Daí que esse filme me veio à mente de forma incontrolável depois que comecei a prestar atenção na disputa pela sucessão presidencial brasileira. A hora tá chegando e comecei a ponderar sobre os candidatos(as). Na mídia, temos hoje, o início da exaltação das qualidades dos candidatos: a experiência de governo do Serra, a competência administrativa e continuidade de governo Lula da Dilma e o apoio internaional e alinhamento com as necessidades ambientais de nosso país para a Marina.

 

Porém também não me sai da cabeça o objetivo comum dos adversários do filme O Bom, O Mau e O Feio. Todos queriam apenas o dinheiro. Usavam métodos diferentes mas com a mesma brutalidade, a mesma falta de escrúpulos e a mesma dissimulada opção por uma ideologia só para se aproximarem do pote de ouro. Ainda no filme a definição de quem é o Bom, o Mau ou o Feio é quase que uma opção do espectador, eventualmente respaldada pela imagem externa (ou seja era uma questão de marketing) e de certa forma não faz diferença pois o caráter, as atitudes e o objetivo eram os mesmo.

 

Não vou fazer os meus comentários pessoais sobre os candidatos (pelo menos por enquanto), mas convido Vc a pensar nas seguintes perguntas:

- Vc Já estudou os prós e contras dos(as) candidatos(as) ?

- Vc já se definiu ?  

- Ou Vc acha que vamos assistir um remake do filme O Bom, O Mau e O Feio ?

 

Boa pesquisa !

 

Obs: Na minha opinião a trilha sonora cai bem até para a sucessão presidencial, não acha ?

 



Escrito por Artelano de Barros Cavalcanti às 00h39
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Meu primeiro Blog ou "Happy Hollidays" uma ova !

 Já faz um tempo que cheguei a conclusão que brasileiro tem opinião para quase tudo. Mas quase tudo mesmo! Se Vc duvida basta se travestir de reporter e parar alguém no meio da rua fazendo uma pergunta tipo; Amigo, qual a sua opinião sobre a influência da curvatura do universo na relação sexual dos camundongos brancos ? Pronto! A chance é grande da criatura lhe responder algo como: "Bem, eu só ouvi falar nisso aí por alto, acho que foi na TV e não sei muita coisa mas acho o seguinte..." e daí para frente emite uma senhora opinião, seja lá qual for, com ar de expert.

Dito isto e já que sou brasileiro, me  incluo nesta conclusão. Muitas opiniões me assolam e somente algumas delas são emitidas, em geral de forma contextual, dentro de conversas com os clientes e amigos. Mas o que fazer com tantas outras que não tem chance de serem exprimidas, de ganharem vida já que não existem oportunidades para todas ? Descobrí que elas foram sendo empilhadas em algum lugar da minha cabeça até que, tal qual um mola comprimida, resolveram começar a sair. Tentei evitar já que achei que poderia ser uma grande perda de tempo para mim e para possíveis amigos leitores mas a energia acumulada era muito grande. Mesmo sem saber português adequado (me perdoem os erros já cometidos e os ainda por cometer) estou começando o meu Blog...ou melhor o Blog do ABC. O objetivo é por para fora, com mais palavras que suportam os sites de relacionamento (orkut ou facebook), as idéias que ficam martelando aqui dentro.

De antemão quero registar que sob nenhuma hipótese pretendo ofender, denegrir ou desrespeitar pessoas ou instituições. Se assim o parecer peço desculpas adiantadas. Pretendo escrever apenas o que me parecer sensato dizer pessoalmente a qualquer um (o que significa que algumas opiniões muito interessantes podem ficar de fora deste blog) mas também assumo a responsabilidade por possíveis derrapagens neste código de conduta.

Por fim vou começar a relatar a minha primeira opinião em blogs ou mais adequadamente vou começar o meu posting cujo título é "Happy Hollidays uma ova".

No comecinho deste ano de 2010 eu lembro de ter lido em uma revista VEJA, na seção RADAR, uma nota sobre um alto executivo brasileiro que, de presente de fim de ano, tinha o costume de enviar para seus subordinados um livro sobre administração de empresas com uma dedicatória e desejos de feliz natal, porém ao fazer o mesmo no final do ano passado (2009) ele endereçou esta menssagem também para executivos sediados nos EUA com a mesma dedicatória, em inglês, e foi advertido que aquilo não era adequado já que o "Feliz Natal" poderia ser entendido como "descriminação religiosa". Isto posto o alto executivo brasileiro ajustou a dedicatória com um encerramento de "Happy Hollidays".

Pronto! essa nota da revista não me saiu da cabeça por um bom tempo (na verdade até agora, né ?). Achei muito inquietante a idéia de que no natal, feriado que se deve a comemoração do nascimento de Jesus Cristo, não seja adequado desejar felicidades aos outros citando a própria razão do feriado só porque é uma data religiosa. Ora, eu sou católico e não me incomodo e nem me incomodarei se me for desejado felicidades em dias especiais de outras religiões (na verdade me sentirei lisonjeado) até porque acho que são todas caminhos diferentes para o mesmo lugar.

O exagero do politicamente correto pode, muito em breve, nos tirar a individualidade. Sugiro humildemente que desbanquemos o politicamente correto enquanto ainda dá tempo sob pena de banirmos frases como "Vá com Deus..." ou "Se Deus quiser..." ou até mesmo chegarmos ao absurdo de comemorarmos o aniversário de papai Noel no dia 25 de dezembro. Em resumo, para mim "Happy Hollidays" uma ova. Eu desejo mesmo é um grande e sincero Feliz Natal, mesmo que muito atrasado, para todo mundo. 



Escrito por Artelano de Barros Cavalcanti às 00h25
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